Colors for the Fool

A cor da sorte de hoje, tirada do tarô

Tirar uma carta / O Imperador

O Imperador, Vermelho indiano. A cor aparece no espelho do centro.

Vermelho indiano

Invertida · #CD5C5C

No trono está a armação da autoridade, mas ninguém se senta dentro dela. Os grandes campos sulcados que cercam o palácio antigo jazem em pousio, e os limites antigos ainda se marcam por fileiras de tijolo moído, restos de uma cidade que governava por plano e linha. Os estandartes acima do portão desbotaram; agora são só tecido e já não trazem um brasão. O ar carrega o gosto seco de ferro; o terreiro de parada conserva a forma, mas botas não o cruzam há décadas. Neste domínio, os sons do comando foram substituídos pelo eco e pelo vento. O assento está vazio, mas a cerimônia continua, cada movimento agora oco: um espetáculo para ninguém, e ainda assim executado.

Além dos muros da fortaleza, a poeira se levanta da estrada que um dia levou mercadores e soldados; agora só o vento cava os sulcos fundos deixados pelas rodas das carroças. A terra aqui é dura, encrostada com o barro que um dia serviu para erguer muros e potes, cacos quebradiços espalhados entre o mato. No pátio, resta uma única romãzeira; o fruto se abre sobre as pedras, e as sementes se espalham e secam ao ar livre. São os restos da ordem, um rito de fruta que cai fora de estação, visto apenas por corvos em círculo. A estrutura permanece, durando, mas o calor e o propósito foram para outro lugar.

Lá embaixo, nas cozinhas, o forno de barro está frio. No balcão repousam pimentas secas, enrugadas e potentes, enfiadas num cordão em memória de tempero e de festa. A presença delas é uma relíquia, um lembrete de que, um dia, as mãos se moviam com propósito para criar, para nutrir. Agora as pimentas pendem intocadas, e o pilão e o socador ficam na prateleira, juntando uma camada fina de poeira, mas ainda de aresta viva, prontos para uma pressão que ninguém aplica. O tecido antigo que cobre a mesa, tecido à mão em aldeias distantes e tingido com raiz e folha, perdeu o brilho, mas permanece dobrado com cuidado, um hábito de ordem que persiste depois que o sentido se apagou.

Lá fora, a tarde traz o gosto da chuva que vem. As nuvens da monção se juntam acima da torre de vigia vazia, prometendo um aguaceiro que ainda não chegou. Tudo é expectativa, mas o rito do preparo dura mais que a necessidade; a cisterna é limpa, embora nenhuma água venha, e as calhas são varridas para uma enchente que não vai enchê-las. O cheiro no ar é de espera, de barro e pedra esquentando antes da tempestade.

Numa paisagem assim, é possível praticar pequenos atos que ecoam o que um dia importou. Alguém pode tomar um punhado de tijolo moído e marcar um limite novo na horta, traçando linhas para sementes ainda não plantadas. Pode recolher a romã aberta e, com cuidado, espremer o suco numa tigela para uma refeição quieta. As pimentas secas podem ser moídas à mão, e o ardor delas despertar de novo num ensopado simples. Dá para enxaguar o pano antigo à noite e deixá-lo secar na brisa, um gesto de lembrar como as coisas eram quando cada movimento tinha uma razão.

A cor da sorte de hoje é Vermelho indiano.
Lucky Color: IndianRed — #CD5C5CDeixe que as formas antigas guardem o espaço, mesmo quando o coração já seguiu adiante.
Uma vida nova pode assentar no vazio que ficou para trás.

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