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O Mago
O MAGO · I
O Mago é o arcano maior número 1. Mostra uma figura de pé diante de uma mesa, com uma mão apontada para o céu e a outra para a terra. Na posição normal, representa “vontade”, “criação” e “ter tudo o que é preciso”; invertida, “esforço em vão”, “enganação” e “falta de preparo”.
Nome e número
| Português | O Mago |
|---|---|
| Inglês | The Magician |
| Nome antigo em italiano | Il Bagatto (prestidigitador, mascate) |
| Nome antigo em francês | Le Bateleur (artista de rua, saltimbanco) |
| Número | 1 (I) |
Significado normal
Palavras-chave: vontade, criação, habilidade, concentração, começar a agir
Se o Louco é “quem sai de viagem sem nada”, o Mago é “quem arruma as ferramentas e começa a trabalhar”. Sobre a mesa estão a taça, o bastão, a espada e o pentáculo (a moeda): as ferramentas dos quatro naipes dos arcanos menores, todas reunidas.
Na posição normal, o Mago indica que os materiais e a habilidade para realizar o que você quer já estão nas suas mãos. Falta só começar com vontade. É vista como uma carta encorajadora em situações ativas: pôr ideias em palavras, tirar um plano do papel, mobilizar outras pessoas. Também pode representar talento, jeito para as coisas e facilidade com as palavras.
Significado invertido
Palavras-chave: esforço em vão, enganação, falta de preparo, indecisão
Invertida, é lida como um Mago cuja força não está funcionando bem.
As ferramentas estão ali, mas ele não sabe como usá-las, e a vontade corre na frente e gira em falso. Ou ele começa sem ter se preparado. Outra leitura é o lado ruim da figura original do Mago, o prestidigitador: esconder a falta de conteúdo com boa conversa e boa apresentação, querer manipular os outros. Vale olhar pelos dois lados: se não é você que está fazendo isso, e se não é a outra pessoa.
O que aparece na imagem
- A mão que aponta o céu e a que aponta a terra: diz-se que representam o papel de receber a força do alto e dar forma a ela na terra. Costuma ser lido junto com o antigo ditado “o que está em cima é como o que está embaixo”.
- O sinal do infinito (∞) acima da cabeça: força e possibilidades que não se esgotam.
- As quatro ferramentas da mesa: a taça (sentimentos), o bastão (vontade, paixão), a espada (pensamento) e o pentáculo (o material, o dinheiro). Os quatro elementos que formam o mundo estão ao alcance da mão.
- As rosas e os lírios: no Rider–Waite–Smith são rosas vermelhas e lírios brancos, que representariam paixão e pureza. A túnica vermelha e a roupa branca do Mago repetem a mesma dupla.
- O cinto: no Rider–Waite–Smith é uma serpente que morde a própria cauda (o ouroboros), símbolo da eternidade.
História
Originalmente, o Mago não tinha nada a ver com magia: era a carta do prestidigitador ou do artista de rua da cidade.
No baralho Visconti–Sforza da Itália do século XV, um homem de chapéu grande está sentado diante de uma mesa com taças, facas e outros objetos pequenos. Acredita-se que o nome italiano Bagatto designava um prestidigitador ou um vendedor de miudezas.
No Tarô de Marselha dos séculos XVII e XVIII, ele se chama Le Bateleur (o artista de rua): está de pé atrás de uma mesa com copos, dados, facas e saquinhos, segurando uma varinha. É o material do truque dos copinhos e da bolinha. Às vezes se diz que a forma do seu chapéu de aba larga deu origem ao sinal do infinito que veio depois.
Quando, no século XIX, os estudiosos do esoterismo releram o tarô, esse prestidigitador passou a ser interpretado como um “mago” que age sobre o mundo pela força da vontade. O Rider–Waite–Smith seguiu essa ideia: trocou os objetos da mesa pelas ferramentas dos quatro naipes e o desenhou apontando para o céu e para a terra. O nome inglês Magician também vem daí.
Correspondências
| Letra hebraica | Astrologia / elemento |
|---|---|
| Bet (ב) | Mercúrio |
Mercúrio é visto como o planeta da inteligência, da palavra, do comércio e da destreza, e é associado à “habilidade” e à “facilidade com as palavras” do Mago.
Carta anterior e seguinte
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