O Imperador ― De pé
Um trono se ergue da terra, não dourado nem pendurado de sedas, mas pesado e duradouro, cortado do próprio tronco da história, espesso e paciente como uma canga curtida. O Imperador se senta, as botas plantadas numa laje gasta, como se sempre tivesse estado aqui. Os braços, fortes como couro de arreio, repousam sobre os braços do assento. Atrás dele, a fronteira é uma cerca baixa e seca, feita de vigas antigas, marcando o que é dele, separando a terra do selvagem. Além: montanhas, nuas e inflexíveis, postadas em fileiras como gado na borda de um pasto. O vento aqui é uma corrente seca, do tipo que carrega o cheiro de terra e de madeira velha, e a memória de cada estrada cavada por rodas de carroça e por cascos.
A ordem começa no portão, uma barreira feita de postes fincados fundo no chão. Os postes são talhados pelo tempo e pelos anos, mas se sustentam. A lei do Imperador não está só escrita, mas martelada e moldada, ecoando nas traves de um curral, no cabo de uma ferramenta, no veio de uma sela costurada à mão. A civilização, no sentido mais antigo, toma forma nessas coisas. O assento do poder não é coisa frágil, mas o banco de um povoador, largo como o lombo de um boi, moldado por muitas mãos, alisado por gerações que se sentam e se levantam, resolvendo disputas e traçando planos.
As raízes da montanha são as raízes do Imperador, pacientes e resistindo ao empurrão da tempestade. Abaixo dos picos, trilhas antigas serpenteiam pela poeira, sulcadas por carroça e mula. Ao longo dessas trilhas se faz o trabalho do mundo: a troca de trigo por ferramentas, a condução de ovelhas de um vale a outro, o retorno a uma casa onde a lareira é alimentada com o que restou da lenha do ano passado, guardada e empilhada antes das neves. Na cozinha, o pão da manhã é moldado numa tábua larga, a superfície riscada pelas marcas da faca, e ao lado uma colher é talhada do cerne, polida pelo uso. Acima do fogão, um chapéu antigo pende, a aba enrolada por anos de chuva e sol, sempre devolvido ao seu lugar.
O reino do Imperador não se mede em esplendor passageiro, mas na constância do que dura. As paredes da casa são revestidas de tábuas, cada uma encaixada com cuidado, os nós e as cicatrizes unidos por pregos forjados à mão. Na mesa há uma caneca, a alça grossa, queimada à moda antiga, passada de pai para filho. Uma receita é lida em voz alta, as palavras gastas mas lembradas, um procedimento seguido do mesmo modo que um limite é respeitado: não para exibição, mas para a manutenção da paz. O Imperador conhece cada pá no galpão, cada trinco que precisa ser erguido de um jeito certo, cada trecho de terra que melhor cede ao arado. As noites chegam frescas, com nuvens se juntando no horizonte, prometendo chuva ou talvez não, mas a estrada de casa está sempre marcada pela linha da cerca do pasto, e nunca se perde.
Hoje, você pode olejar as dobradiças do portão do jardim, ou remendar a costura de um par favorito de botas. Pode moldar a massa do pão com as mãos, lembrando como cada dobra importa, ou polir uma ferramenta, firmando a mente com o peso de um cabo. Há sorte nos ritos da ordem, em manter os limites claros e os procedimentos firmes.
A cor da sorte de hoje é Marrom sela.
Lucky Color: SaddleBrown — #8B4513Um dia para construir e para chão firme. A ordem guarda a estrada.