O Louco ― De pé
Um jovem errante está na beira do penhasco, o primeiro passo da jornada incerto, mas sem fardo. Ele segura uma rosa com mãos gentis, as pétalas delicadas e luminosas. Ao lado, um cão pequeno salta e circula, instando-o a avançar no desconhecido. O caminho adiante não é pavimentado de pedra, mas dos restos macios da colheita da estação passada — tufos de fios fibrosos que um dia protegeram espigas em amadurecimento, agora espalhados como convites pelo chão.
Esses fios, finos e pálidos, têm lugar nas cozinhas e nas casas de fazenda do mundo inteiro. Depois da colheita, são puxados das espigas e estendidos sobre panos nítidos para secar nos peitoris, onde apanham a luz mais fraca da manhã e soltam um perfume leve e doce. Alguns são guardados em livros velhos de receitas ou em potes de vidro, reservados para as horas em que uma infusão calmante possa ser necessária. Outros são tecidos em pequenos enfeites — argolas para guardanapos, amarras para maços de ervas, ou pequenos amuletos trançados para pendurar junto à porta. Em algumas cidades, as crianças juntam os fios e fazem com eles bonecas simples, ou os trançam em pulseiras, sinais de uma tarde sem preocupação e do começo das próprias pequenas aventuras.
Siga mais adiante, e esses fios se tornam vistas familiares nas mesas dos mercados e nas varandas da frente. Os agricultores os arrumam com as espigas, sinal de frescor e de cuidado. Em lugares distantes, são usados em remédios populares, postos de infusão na água, e acredita-se que levam o calor dos campos ensolarados até as cozinhas de inverno. Há histórias de antepassados que guardavam um punhado enfiado em bolsas durante as longas jornadas, uma lembrança de casa e dos ciclos de plantar e colher. Às vezes, as pessoas forram com eles os ninhos das galinhas do quintal, acreditando que trazem gentileza aos ovos e boa fortuna à casa.
Em certos mitos, esses fios são prezados pela capacidade de ligar mundos — os vivos à terra, o viajante à possibilidade. Nos dias de festa, são às vezes espalhados aos punhados ao vento, levados para se tornarem parte da terra de novo. Viajantes, sobretudo os que partem pela primeira vez, são conhecidos por carregar alguns desses filamentos no bolso, confiando que o mesmo espírito que protege o grão dentro da palha também velará pelos passos deles. O Louco está sempre no limiar, confiando no momento, acompanhado por esses dons quietos do campo e da colheita.
Hoje, alguém pode pôr de infusão um pequeno maço desses fios numa bebida gentil, saboreando a doçura e pensando em estradas abertas. Outra pessoa pode trançá-los e amarrá-los em torno de um pote, como sinal de novas intenções. Pode-se enfiar alguns debaixo de um travesseiro, na esperança de sonhos tranquilos e de viagens seguras. Ou simplesmente caminhar perto de um jardim ou de um campo e notar o modo como os fios derivam na brisa, cada um um chamado gentil para abraçar a jornada adiante.
A cor da sorte de hoje é Barba-de-milho.
Lucky Color: Cornsilk — #FFF8DCCarregue um fio, e deixe os começos encontrarem você.