O Enforcado ― De pé
Um homem pende de cabeça para baixo, o pé atado ao galho vivo de uma árvore, raízes fundas e ramos voltados para o céu. O mundo ao redor está quieto, contendo o fôlego. A árvore não é velha nem morta, mas se alonga, pulsa de seiva, e suas agulhas e folhas se adensam no alto. Na quietude, um vento leve traz o cheiro de resina, de terra e de casca molhada. Há a sensação de que o tempo desacelerou, sem chegar a parar; o halo em torno da cabeça da figura indica outro tipo de consciência. A floresta observa, silenciosa e presente, enquanto ele entrega o olhar de sempre em troca de outro.
Nas histórias antigas, as florestas são lugares de pausa e de prova. Um caminho se perde e as árvores se fecham, mas no silêncio algo muda. Os ramos acima formam uma catedral, colunas que sobem mais alto que qualquer edifício, e o chão é macio de musgo e de agulhas de pinheiro. No coração dos bosques antigos, os viajantes paravam para escutar, para esperar uma resposta que não viria a menos que se deixasse o mundo ficar de cabeça para baixo. As terras do norte marcam suas fronteiras com florestas como estas: lugares onde a névoa se agarra aos troncos ao amanhecer, e o mundo parece mais velho do que as palavras capazes de descrevê-lo.
Não é só o selvagem que guarda esta quietude. Na cozinha, a tábua de cortar está coberta de ervas picadas, folhas arrancadas do ramo. O ar se enche da fragrância do endro, da salsinha ou do estragão; o sabor é agudo e fresco na língua. Uma sopa ferve em fogo brando, e quem cozinha permanece com a concha suspensa, deixando o vapor subir e enrolar-se, à espera do momento certo de acrescentar o punhado de folhas. Aqui, na pausa doméstica, o mundo se aquieta. As mãos podem descansar sobre a mesa de madeira, os dedos seguindo o veio, a mente acalmada pelo ritual de preparar comida da horta ou do mercado.
Em outro lugar, lenhadores do norte cortam madeira dos bosques fundos e a empilham com ordem ao lado das cabanas. A resina que escorre dos troncos recém-cortados é pegajosa e se agarra como os últimos instantes antes de soltar. Quando o sol se põe, a floresta expira, e os trabalhadores param; machados e serras ficam de lado. O trabalho permanece suspenso e, por um momento, o silêncio sob os pinheiros é completo.
A chuva atravessa florestas como esta, caindo em cortinas suaves. O som chega abafado, sobre agulhas e folhas. Caminhantes encontram abrigo sob os ramos, capas de chuva escorregadias de gotas d'água, botas que esfriam na lama. Às vezes, no silêncio, olham para cima através do dossel, viram a vista de cabeça para baixo e veem o mundo refratado em milhares de gotas trêmulas. Nesta breve quietude, a decisão de seguir ou de esperar se torna clara.
Hoje, é possível tocar esta atmosfera ficando sob uma árvore e deixando a brisa brincar sobre a pele, ou levando um ramo de erva fresca ao nariz e inspirando. Fazer uma pausa no bosque, real ou imaginado, pode mudar a direção da mente, e preparar uma refeição com um punhado de folhas da horta pode convidar à paciência. Mesmo sentado em silêncio, seguindo os anéis de uma mesa velha de madeira, os dons da floresta e a sabedoria da quietude se assentam no coração.
A cor da sorte de hoje é Verde-floresta.
Lucky Color: ForestGreen — #228B22A quietude traz um olhar novo.
O silêncio muda tudo.