Colors for the Fool

A cor da sorte de hoje, tirada do tarô

Tirar uma carta / A Sacerdotisa

A Sacerdotisa, Ameixa. A cor aparece no espelho do centro.

Ameixa

Normal · #DDA0DD

A Sacerdotisa ― De pé

Entre os pilares, a Sacerdotisa se senta, metade sombra e metade promessa. O véu atrás dela é tecido espesso, marcado com romãs, e nada passa senão o sussurro mais fraco de brisa. No colo descansa um pergaminho, a superfície fechada a todos, salvo aos iniciados. Sob o trono dela, a água jaz perfeitamente imóvel, espelhando a face intocada de um lago recolhido ao amanhecer. Isto não é o riacho apressado da fala, mas a profundidade imóvel do silêncio que espera, o momento antes de um segredo ser contado.

Além desta câmara, em jardins longamente cuidados por mãos atentas, as árvores estão com os galhos pesados. A fruta que carregam é escura de crepúsculo, oval e fresca ao toque. Essas árvores pertenceram a pomares antigos em vales distantes, aos bosques monásticos de terras antigas onde o silêncio é uma regra, e não um hábito. Alguns dizem que, nas terras altas da Ásia, as primeiras dessas árvores foram plantadas perto de templos, as raízes fundas na pedra e na terra rica, os galhos traçando as estações enquanto gerações passavam sob a sombra. Na lenda, uma árvore assim cresceu perto de um santuário onde os que buscavam prendiam tiras de papel dobrado à casca, cada uma trazendo uma pergunta que ainda não podia ser dita em voz alta. A fruta, quando colhida, era sempre guardada para as cerimônias mais quietas.

Dentro das cozinhas no crepúsculo, a fruta é partida ao meio com uma mão cuidadosa e o caroço é retirado. A polpa é posta em tigelas ao lado de colheres de chá e de receitas antigas escritas por avós que sussurravam enquanto mediam. O xarope feito dessa fruta engrossa numa panela, soltando uma nuvem fraca de doçura que enche o cômodo pequeno. O cheiro permanece na colher de madeira, como se lembrasse cada verão passado no pomar. Às vezes, uma gota é acrescentada a uma xícara de chá, aprofundando o sabor, ou posta com a colher sobre uma fatia de pão para marcar o fim de uma tarde silenciosa. No canto, um cachecol pende nas costas de uma cadeira de cozinha, tecido dos fios mais macios e tingido com tinturas feitas da casca da mesma fruta. Quando apanha a luz da tarde, parece reter alguma coisa: uma história que ainda não está pronta para ser contada.

Há muito tempo, mercadores carregavam cestos dessa fruta em caravanas que cruzavam estepes frias e vales de rio, a caminho de mercados distantes. Envolta em pano tecido, a fruta sobrevivia a meses de viagem, uma promessa de doçura no fim do caminho. Nos próprios mercados, os comerciantes a ofereciam como comida e como remédio, um recurso para a tristeza quieta ou para as noites sem sono. Curandeiros ferviam as flores secas com água fervente, despejando a infusão em xícaras talhadas de osso ou de madeira. O gosto era brando, mas o efeito era lento e certo, como se se corresse uma cortina com suavidade sobre sonhos inquietos. Noutros lugares, os galhos eram queimados em fogões de inverno, enchendo as casas de uma fragrância sutil nas noites em que a neve subia alto.

Num dia como o de hoje, você pode infusionar fatias da fruta em água morna e beber a infusão enquanto lê a história de outra pessoa, ou pressionar o caroço na terra e confiar que a paciência trará raízes. Pode se enrolar num cachecol feito das fibras dela e usá-lo enquanto escreve uma carta que não pretende enviar. Ou pode visitar um jardim antigo, ficar em silêncio sob uma árvore, e escutar o que as folhas não dizem.

A cor da sorte de hoje é Ameixa.
Lucky Color: Plum — #DDA0DDDeixe as perguntas quietas descansarem na sombra.
Os segredos, por agora, permanecem inteiros.

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