O Imperador ― De pé
O Imperador se senta no assento de pedra, o espaldar rígido, os braços talhados com a memória de cada prova enfrentada e de cada fronteira defendida. O olhar percorre as montanhas que guardam a terra, as cristas marcadas por trilhas antigas e por marcos de pedra que não se deslocam com o vento. Nos vales baixos, muros e portões definem a borda da ordem: a cerca do jardim, o caminho marcado através da praça de uma cidade, a pedra de limite posta na encruzilhada. Não é o selvagem que traz segurança, mas o padrão da pedra, o costume de vigiar, a cerimônia de abrir e fechar o portão.
Do seu mirante, o Imperador lembra os velhos muros da cidade, largos o bastante para que um par de soldados marchasse lado a lado. Lembra os portões pintados na cor do ferro e do fogo, laqueados de modo que nem a chuva mais dura embotasse o brilho. Atrás daqueles portões, um estandarte tremula, o campo posto com o emblema da casa governante. Nos dias da festa da colheita, equipes de trabalhadores içam estandartes de seda, cada qual um sinal de lealdade e a promessa de que alguém vai defender este chão. O mercado abaixo está movimentado, mas ordenado; maçãs e romãs se empilham em pirâmides, cordões de pimentas secas pendem das vigas. Há pimentas na mesa do mercador, selos de cera prensados sobre documentos encerados, e uma caixa laqueada que guarda o anel de sinete do Imperador em segurança quando não está em uso.
Ele sabe que a estrada é mais segura por causa das sentinelas que usam casacos da cor das papoulas, uniformes fáceis de ver à distância. É aviso e reasseguramento ao mesmo tempo. Passar sob um estandarte de pano de papoula, ou ver o brasão de um guerreiro tecido da mesma fibra forte, significa que a lei se estende até o desfiladeiro da montanha. A guarda do Imperador leva consigo um escudo laqueado, lustroso de polimento, refletindo o sol da manhã para poder sinalizar através das distâncias. Na casa, a matrona marca o início da estação de plantio cozinhando feijões e especiarias numa panela pesada de barro, o aroma permanecendo como sinal de acolhida. Ela amarra o avental com fios de lã tingidos numa cor reservada aos dias de festa, uma marca de que a ordem traz celebração tanto quanto segurança.
Os limites não são só pedra e ferro, mas também costume e rotina. O magistrado carimba cada decreto com um bloco de cera de cinábrio, o padrão tão nítido quanto no dia em que o selo foi talhado. O mercador enfia contas de coral num cordão, contando cada uma como um passo ao longo da jornada. Na aldeia da fronteira, uma tocha é posta na borda de um campo, a chama um sinal de que a vigília da noite começou. A lei do Imperador não se impõe só pela espada, mas por estas marcas repetidas: o selar de uma carta, o bater de uma pederneira, o dar de um presente que marca o direito de passagem.
Hoje, a ordem pode ser convidada para a vida diária ao amarrar um cordão da cor da papoula em volta de uma chave, pôr uma tigela de maçãs na mesa, ou trazer uma caixa laqueada para guardar contratos e promessas da casa. Outro modo é cozinhar feijões com especiaria, deixando o cheiro sair pela porta, uma oferta a quem estiver na soleira. São modos de tornar os limites visíveis, e de lembrar que o procedimento assentado guarda a estrada.
A cor da sorte de hoje é Vermelho.
Lucky Color: Red — #FF0000A ordem monta guarda onde a chama é carregada.
Limites honrados, o caminho da montanha permanece verdadeiro.