A Imperatriz ― De pé
No jardim da Imperatriz, o trigo amadurece sob um céu brando, e o ar carrega o sopro de rosas silvestres. O assento sob ela é talhado de madeira e polido pelo toque de muitos anos, posto ao lado de uma cachoeira branda cuja borrifa se junta em poças rasas. Fruta roliça descansa em grupos ao alcance da mão, maçãs e peras sob o olhar dos melros. À volta dela, as folhas tremem com a certeza quieta da vida se desdobrando com firmeza. Este é um lugar onde a abundância já chegou. Toda superfície transborda de nutrição: pétalas abertas de par em par, vinhas se enrolam e alcançam, e a própria terra parece erguer as ofertas.
Entre as rosas, uma flor curiosa cresce em grupos: o nome dela é compartilhado com alfaiates e cozinheiros, e com marinheiros que costuravam lona no mar. É uma flor conhecida por baladas inglesas antigas e pela medicina das sebes, pelas pétalas comestíveis cristalizadas em açúcar sobre bolos nas festas do primeiro de maio. O mesmo nome permanece na cozinha, onde um bolo macio assa em formas redondas, crescendo como crescia nas janelas vitorianas, coberto de creme de leite e de geleia. Aparece como um doce na sala de chá, um agrado ao mesmo tempo delicado e firme, em camadas com a fruta que cresce no domínio da Imperatriz.
Além do jardim, a palavra é falada na linguagem do ofício. Painéis de pano, lisos e duráveis, aparados para fazer vestidos de primavera, toucas para crianças, e faixas na corte. Houve um tempo em que esses painéis eram cortados por aprendizes sob a luz da lamparina, as agulhas se enfiando por um tecido tão macio quanto as pétalas nas sebes lá fora. O mesmo nome atravessava as ruas, posto acima das portas das lojas e costurado nos forros de baús de viagem, uma marca tanto de conforto quanto de orgulho. No mercado, os vendedores expõem essas mercadorias ao lado de cestos de fruta de verão e de feixes de flores silvestres, todos compartilhando o mesmo som brando.
O tempo, também, toma emprestado do mundo da Imperatriz. Cedo pela manhã, antes de o sol romper, a névoa deriva baixa sobre os campos, tocando o trigo e as rosas do mesmo modo, deixando um orvalho que sabe de leve a pomar e a néctar de flor silvestre. Os pastores um dia nomeavam essas auroras brandas pela mesma flor, uma promessa de calor por vir depois do longo silêncio da noite. Contos antigos falam de tais manhãs: quietas, nutritivas, um manto que a terra veste antes de o dia ficar brilhante.
Neste mundo, a Imperatriz reúne a abundância não pelo esforço, mas pelo cuidado. Ela colhe o que está maduro, prensa flores no livro, e arruma a fruta em tigelas para os viajantes. Para segui-la, alguém pode sair para colher pétalas da sebe, ou fatiar um bolo de verão e compartilhá-lo à mesa da cozinha. Outra pessoa pode costurar uma faixa macia de pano, enfiando a agulha pelo tecido enquanto escuta o silêncio da chuva contra o vidro. Ou levantar-se cedo, caminhando no jardim justo quando a névoa da manhã começa a se erguer, e pausar para respirar o cheiro de rosas silvestres e de fruta madura.
A cor da sorte de hoje é Rosa.
Lucky Color: Pink — #FFC0CBA abundância está à mão.
Nutra o que já é seu.