As balanças na mesa já não estão pareadas, um lado segurando o peso de sementes de romã, abertas e espalhadas, o outro deixado nu. A cadeira atrás do banco está vazia, um assento de couro gasto, o calor desvanecido porque ninguém vem reclamá-lo. O livro-razão permanece aberto, as colunas caprichadas intocadas, cada número à espera de uma mão que hesita ou que falta de todo. Esta câmara de equilíbrio está silenciosa, a não ser pela deriva macia da poeira sobre uma tigela de barro um dia usada para misturar terra e pigmento, os restos agora secos como jornal velho.
Outrora, nas terras do Deccan e de Malwa, mercadores chegavam com sacos de cinábrio e braçadas de sândalo, parando sob os toldos frescos do bazar. Moíam minerais até virarem pó, misturando-os em cera para selar contratos e em pasta para marcar ombreiras nas festas. De manhã, quando os ventos da monção varriam o lugar, o ar engrossava e os caminhos do povoado escureciam com riscos de lama, as linhas se cruzando como as histórias sem resolução de cada testemunha ausente. Os escribas do tribunal reconheciam o poder das pedras de selar, a promessa de um juramento intocado, mas, quando o chefe estava longe, viajando numa peregrinação longa e incerta, a cera ficava sem carimbo, e as cartas esperavam um julgamento que não chegaria.
Sob esses céus nublados, os telhados das casas, cobertos de terracota, reluziam com a chuva da noite. Os moradores traziam cestos de fruta das árvores de tamarindo, as cascas espessas manchadas pela tempestade da noite passada. Na cozinha, uma panela fervia em fogo brando, a borda de ferro marcada por anos de uso, dentro cozinhando o azedume das lentilhas e a polpa de raízes tiradas de um campo partido. A lareira lembrava os ausentes de que a justiça não é só um decreto, mas uma necessidade de todo dia: dividir o resto do grão, lembrar quais mãos semearam e quais mãos colheram.
Na sombra fresca, um sari velho de algodão pendia de um varal, bordado com os padrões de cidades distantes — losangos e pétalas costurados durante estações de paz. A borda da veste carregava o fantasma de um pigmento ocre, traçado por uma mão cuidadosa num outono há muito ido. Era ali, sob vestes assim, que os mais velhos contavam as histórias de povoados perdidos: de quem saiu vagueando antes que o julgamento pudesse ser convocado, de cacos de cerâmica desenterrados sem história para contar, a não ser uma barganha interrompida. No silêncio, o ar guardava o cheiro de pó de tijolo, úmido e agudo depois da chuva, um lembrete de coisas deixadas sem resolução.
Hoje, alguém pode trazer uma tigela de barro e enchê-la de água, deixando-a assentar na soleira como sinal de convite. Pode-se selar uma carta com cera, mesmo que não haja resposta imediata, só para honrar o movimento da decisão. Cozinhe legumes de raiz devagar, usando uma panela velha, como se nutrisse quem não pode voltar para casa. Ou pendure um pano tecido do lado de fora, para apanhar o vento, permitindo que qualquer mensagem derive até onde é necessária.
A cor da sorte de hoje é Vermelho indiano.
Lucky Color: IndianRed — #CD5C5CQue ela guie os ausentes de volta para casa, ou dê peso às suas decisões em espera.