Colors for the Fool

A cor da sorte de hoje, tirada do tarô

Tirar uma carta / Os Enamorados

Os Enamorados, Marrom. A cor aparece no espelho do centro.

Marrom

Invertida · #A52A2A

Duas figuras estão juntas, e nenhuma estende a mão à outra. O pomar está quieto. As videiras sobem a cerca e se enrolam nos postes, e o fruto permanece intocado. A terra está pesada depois de uma noite de chuva. Sob as árvores, o chão está espesso de folhas caídas, cada uma de borda áspera e enrolada sobre si, ainda guardando a memória do crescimento da estação passada. As mãos se roçam como por acidente, mas as palavras que poderiam ter vencido a distância entre elas se perdem no silêncio.

Nas histórias antigas, os pares esperavam nas margens do rio onde os barqueiros amarravam os barcos, sem estar prontos para atravessar, sem estar prontos para ficar. As margens eram ladeadas por campos de terra onde as sementes afundavam fundo e esperavam a primavera, mas os enamorados também não conseguiam decidir. Na cozinha, os pães esfriam sobre a tábua, e o cheiro de grão torrado sobe em silêncio. A faca espera ao lado do pão, mas ninguém corta o primeiro pedaço. É a superfície paciente de uma mesa de castanheira polida, que sustenta o peso da expectativa e as marcas deixadas por mãos e xícaras de dias anteriores. Cada xícara guarda agora um chá frio, posto de lado e esquecido.

Em algum lugar nas colinas, um caminho atravessa o bosque. As botas pressionam o chão macio e deixam um rastro atrás. Ali, os troncos das árvores velhas estão próximos, com a casca rachada e sulcada. Essas árvores viram séculos de andarilhos ir e vir, fazendo uma pausa sob os ramos em busca de abrigo quando o ar engrossa com a promessa de chuva. Nas aldeias aninhadas na borda da floresta, as casas são feitas da mesma madeira forte, com vigas à mostra e gastas pelo tempo. Os casebres se reúnem sob telhados inclinados, a fumaça sobe das chaminés, e lá dentro as pessoas falam em voz baixa ou não falam nada, e o silêncio cresce entre elas como o musgo ao longo de um poço de pedra.

A carroça de um mercador chacoalha por uma viela enlameada depois do mercado, carregada de sacos de grãos de café e de feixes de casca de canela. São esses os confortos que viajam de uma casa a outra, trocados e guardados até serem necessários. Numa manhã de segunda-feira, um jardineiro se ajoelha junto aos canteiros, com as mãos fundas na terra, desenterrando o que foi plantado na esperança, e ainda hesita antes de puxar a última raiz teimosa. Uma costureira se senta à luz do lampião, o trabalho quieto, o tecido dobrado com capricho no colo, à espera do primeiro corte. Há histórias no veio de cada colher talhada e no remendo cuidadoso de um casaco gasto: atos de cuidado que nem sempre encontram palavras.

O tempo pousa pesado sobre a terra. As nuvens ficam sobre os campos, e o céu tem a cor da terra úmida recém-virada pelo arado. Em algumas casas, uma chaleira ferve sobre o fogo, e o ar está espesso do cheiro de grãos torrados, de cinza da lareira e da umidade de um dia que se fecha. Lá fora, os passos soam surdos na varanda, deixando pequenas marcas que terão sumido de manhã.

Hoje, você pode sovar a massa numa mesa antiga, dando-lhe forma com paciência para a próxima refeição. Pode sentar-se sob uma árvore para escutar o silêncio nas folhas, ou apoiar a palma no chão e sentir o calor guardado ali. Pode remendar uma jaqueta, ou varrer o pó do chão, cuidando do que perdura na espera.

A cor da sorte de hoje é Marrom.
Lucky Color: Brown — #A52A2ADeixe que o chão quieto firme os seus passos.
As pontas soltas podem ser reunidas e atadas, mesmo no silêncio.

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