Colors for the Fool

A cor da sorte de hoje, tirada do tarô

Tirar uma carta / Os Enamorados

Os Enamorados, Tijolo. A cor aparece no espelho do centro.

Tijolo

Invertida · #B22222

Entre as árvores afastadas da carta, duas figuras estão de pé, e a borda de um jardim fica entre elas. Nenhuma mão se move em direção à outra. Nenhum fruto é oferecido ou tomado. A voz do arcanjo nas folhas se aquieta, sem ser ouvida, como se o próprio ar engrossasse de silêncio. Esta é a pausa antes da decisão, uma encruzilhada ainda não atravessada, o silêncio numa cozinha antes que a discussão transborde. Em momentos assim, as próprias paredes parecem observar, carregando o calor e a quietude de uma tarde de verão depois da chuva, quando o mundo prende a respiração e as telhas de barro fumegam.

Elas estão numa cidade onde velhas chaminés se erguem. Cada chaminé é construída de blocos cozidos em forno, empilhados com paciência, cada um feito para resistir às décadas e ao fogo da casa. As mãos que os assentaram gastaram as luvas, tijolo após tijolo, dando forma a lareiras que durariam mais que brigas e invernos. Esses tijolos viram anos em que as ruas se enchiam do cheiro de pimentões assados e de cordeiro, quando as famílias se apertavam nas cozinhas, e as vozes subiam e desciam, sem nunca chegar a se tocar. Ainda assim, as paredes grossas guardavam o calor, mesmo quando as palavras perdiam o caminho.

Acima delas, em aldeias de montanha do outro lado do mundo, os fornos ainda brilham de calor. Cúpulas de barro assam o pão que precisa se partir antes de ser compartilhado, e a crosta se abre para revelar o que há dentro. O pão esfria, aninhado numa toalha sobre uma lareira feita dos mesmos blocos cozidos, do mesmo ofício antigo. Há uma memória nessas pedras: histórias de vilas reconstruídas depois das chamas, de muros que se mantiveram quando as tempestades batiam. Contudo, nem os materiais mais firmes conseguem remendar um silêncio espesso como argamassa, nem cobrir o vão quando duas pessoas se voltam para dentro, ombro a ombro, sem estender a mão.

Ao meio-dia na rua, as pedras do calçamento ainda irradiam o calor do sol da manhã. As vozes das crianças ecoam entre as casas, perseguindo-se umas às outras junto às fileiras de velhos fornos onde os trabalhadores um dia moldavam a terra em espaço de viver. Perto dali, num beco, a carroça de um vendedor se apoia numa parede, e o vendedor limpa o suor da testa, à espera da corrida morna da tarde. Com um tempo assim, o mundo parece assado por completo. Os ânimos sobem depressa, e as palavras podem secar antes mesmo de serem ditas, pó na língua.

No silêncio em que as escolhas permanecem por fazer, há sempre um modo de recomeçar. Uma pessoa pode sovar a massa do pão, dando forma a algo com as mãos, deixando que a tensão do dia amoleça no ritmo. Pode sentar-se no degrau da frente, com os tijolos quentes por baixo, e compartilhar uma refeição ou mesmo apenas uma história com um vizinho, encurtando a distância, ainda que só por um momento. É possível limpar a velha lareira, afastando as cinzas do último inverno, pronta para um calor novo, ou passar pela fileira familiar de chaminés e lembrar os construtores que trabalharam lado a lado, mesmo quando nenhuma palavra foi dita.

A cor da sorte de hoje é Tijolo.
Lucky Color: FireBrick — #B22222Em cozinhas silenciosas e ruas assadas de sol, algo perdura. A força para estar juntos espera, quieta e firme.

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